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O eucalipto na Aracruz

A Aracruz iniciou seus plantios de eucalipto no final da década de 60, utilizando sementes do Horto Florestal de Rio Claro (SP). Naquela época, as espécies consi-deradas adequadas para a região foram o Eucalyptus grandis, o E.saligna, o E. urophylla e o E. alba.

Como eram estabelecidos a partir de plantas não selecionadas para a região, os plantios obtidos apresentavam grande variação no crescimento e na forma das árvores. Além disso, a ocorrência do cancro (doença provocada pelo fungo Chrysoporthe cubensis) inviabilizou o uso de algumas espécies, especialmente o E. saligna.

Para resolver esse problema, os técnicos da empresa implantaram, a partir de 1973, um programa de melhoramento genético visando à obtenção de árvores mais adaptadas à região. O primeiro passo foi a introdução de 55 diferentes espécies de eucalipto oriundas de seus países de origem.

Após a avaliação do comportamento no campo, as espécies E. grandis e E. urophylla, além do híbrido entre elas, foram definidas como as de maior potencial, em função da tolerância ao cancro, do rápido crescimento e da adequação ao processo de produção de celulose. A partir daí, aconteceram novas introduções dessas espécies e, já na década de 80, a Aracruz produzia sementes melhoradas para consumo próprio e comercialização, contribuindo para o desenvolvimento da eucaliptocultura brasileira.

Com a chegada da clonagem (técnica que permite a multiplicação de plantas idênticas do ponto de vista genético), muitas árvores superiores, resultantes do programa de melhoramento, foram selecionadas e propagadas em grande escala por este método. Resultado: as florestas clonais propiciaram ganhos significativos em produtividade, uniformidade e qualidade da madeira, permitindo à empresa se destacar no mercado mundial.

Vale ressaltar que a técnica de clonagem não é uma ferramenta que só pode ser aplicada ao eucalipto. Culturas como mandioca, cana-de-açúcar, café, cacau, batata, banana e outras também são produzidas a partir dessa estratégia de propagação.

Atualmente, diferentes métodos de melhoramento genético são empregados para se obterem gerações avançadas de E. grandis, E. urophylla e seus híbridos. Outros tipos de híbridos, envolvendo espécies diferentes, também têm sido desenvolvidos, visando principalmente melhorar a qualidade da madeira para produção de celulose. Essas técnicas envolvem a seleção de plantas com melhor desempenho e seu intercruzamento ao longo de sucessivas gerações, a exemplo do que é feito com outras culturas como milho, soja e cana-de-açúcar.

Em seus plantios comerciais, a Aracruz usa um conjunto de clones que são frequentemente substituídos. Essa estratégia garante suficiente diversidade genética às florestas plantadas da empresa, reduzindo a probabilidade de ataques de pragas e doenças.

Além disso, a empresa vem aumentando seguidamente a produtividade de suas florestas plantadas, o que lhe permite otimizar a área necessária para atender à demanda industrial. Graças a essa melhoria contínua, a área atualmente plantada pela Aracruz para abastecer suas fábricas corresponde à metade da que seria necessária 40 anos atrás, quando os níveis de produtividade florestal eram bem mais baixos.

Outro fator que garante o equilíbrio biológico do sistema é a conservação de florestas nativas entremeadas com os plantios de eucalipto. Hoje, a Aracruz se orgulha de conservar aproximadamente 180 mil hectares de reservas nativas convivendo com quase 300 mil hectares de eucalipto. Esse modelo tem o nome de mosaico, e é isso mesmo que se percebe numa visão aérea: mais de um hectare de reservas nativas para cada dois hectares de plantios de eucalipto. E ambos convivem e interagem em harmonia.

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