O eucalipto e a biodiversidade
Conciliar o desenvolvimento econômico com a conservação do meio ambiente é um desafio global, que tende a aumentar com o contínuo crescimento da população mundial e do consumo debens cuja produção envolve o uso de recursos naturais.
Como resultado desse desafio, estabelece-se uma importante discussão sobre o uso sustentável dos recursos naturais e, neste contexto, sobre a proteção da biodiversidade.
A história de devastação dos ecossistemas brasileiros indica que as florestas naturais foram e continuam a ser fortemente impactadas pela exploração madeireira, sendo, em seguida, substituídas por pastagens e culturas agrícolas. Grandes áreas já foram devastadas nos diferentes biomas brasileiros, o que afeta diretamente a conservação da biodiversidade.
É o caso da Mata Atlântica, bioma originalmente presente nas áreas de atuação da Aracruz, nos Estados do Espírito Santo e da Bahia. A Mata Atlântica é um complexo e exuberante conjunto de ecossistemas de essencial importância por abrigar parte significativa da diversidade biológica brasileira. Ela é reconhecida, nacional e internacionalmente, como um bioma que precisa de ações emergenciais de conservação.
Consciente disso, a Aracruz se esforça em favorecer a conservação de todos os remanescentes florestais nativos em suas propriedades. Adicionalmente, ao proporcionar o fornecimento alternativo de madeira por meio de seus plantios renováveis, a empresa participa efetivamente do esforço global em aliviar a pressão sobre as matas nativas.
Atualmente, como já citado, a empresa tem aproximadamente 300 mil hectares de plantios de eucalipto entremeados com cerca de 180 mil hectares de reservas nativas conservadas. Essa grande extensão de reservas nativas dificilmente existiria hoje, caso estivesse distribuída em uma estrutura fundiária muito fragmentada, como, aliás, ocorre tradicionalmente em várias partes do país, notadamente na região sudeste.
Assim como as demais atividades agrícolas, o plantio de florestas causa impactos ambientais. No entanto, é importante ressaltar que, no caso do eucalipto, a adoção de práticas como o plantio em mosaico (blocos de eucalipto entremeados com matas nativas) e a manutenção de corredores ecológicos (plantios de eucalipto que ligam fragmentos de florestas nativas conservados isoladamente) reduzem sobremaneira os impactos sobre o meio ambiente. E, na maioria das vezes, ajudam a protegê-lo.
A presença das reservas nativas permite também maior proteção ao próprio eucalipto, pois elas garantem a conservação de vários inimigos naturais de pragas e doenças que ameaçam as florestas plantadas.Há 15 anos, a Aracruz faz estudos e monitoramentos da flora e da fauna nos seus plantios de eucalipto e também em áreas de reservas nativas (Tabela 7). E, recentemente, esse trabalho foi estendido às propriedades do Programa Produtor Florestal e ao Rio Grande do Sul.
Essas ações permitem à empresa avaliar, entre outros aspectos: a riqueza da biodiversidade nas suas áreas de atuação; se as práticas de manejo adotadas são sustentáveis; se a distribuição e qualidade das áreas de preservação são suficientes para o equilíbrio ambiental local; e se há ambientes especiais a serem protegidos ou conservados. Enfim, oferecem o embasamento necessário ao aprimoramento do sistema de manejo das florestas da empresa.













