Relatório Anual 2004
Mensagem da Administração
Nossa meta é agregar continuamente valor à Companhia e proporcionar retornos consistentes aos acionistas.
Em 2004, a economia mundial apresentou o maior crescimento das três últimas décadas – cerca de 5% –, destacando-se a continuidade do crescimento acelerado da China e a recuperação do Japão, após longo período de estagnação. O comércio internacional também voltou a crescer a taxas elevadas, depois de quatro anos de baixo crescimento, e os preços das commodities alcançaram níveis elevados no período, retornando ao patamar equivalente ao último pico, entre 1995 e 1997. A despeito de alguma instabilidade financeira no segundo trimestre do ano, associada à elevação das taxas de juros norte-americanas, prevaleceu uma situação de liquidez relativamente folgada nos mercados financeiros, o que contribuiu para reforçar os fluxos de capital para países emergentes.
No Brasil, a continuidade na condução das políticas macroeconômicas do governo contribuiu para o bom desempenho da economia, que cresceu mais de 5%, a taxa mais alta dos últimos dez anos, impulsionada principalmente pela boa performance do segmento exportador, que respondeu pela geração de um superávit comercial de aproximadamente US$ 34 bilhões. Esse quadro positivo ajudou a reduzir consideravelmente a percepção de risco do país, e concorreu para um ambiente favorável aos investimentos.
O ano trouxe também conquistas e novos recordes para a Aracruz.
As iniciativas e investimentos empreendidos nos últimos quatro anos estão alinhados à estratégia de ampliar nossa participação no mercado global de celulose de fibra curta, que deverá atingir 32% em 2006. Nossa meta é agregar continuamente valor à Companhia e proporcionar retornos consistentes aos acionistas. Nos últimos quatro anos, o valor de mercado da Aracruz, considerada a cotação de suas ações preferenciais, mais que triplicou, atingindo R$ 10,4 bilhões.
Avançamos na construção da Veracel, unidade fabril com capacidade para 900 mil toneladas anuais de celulose, cuja entrada em operação está prevista para meados de 2005. O ano se encerrou com a obra praticamente concluída.
A Unidade Guaíba, adquirida em 2003, está totalmente integrada ao modelo de gestão da Empresa e já atingiu um novo recorde de produção. Para o próximo ano, investimentos na fábrica do Rio Grande do Sul permitirão aumentar a capacidade de produção, com redução de custos operacionais e ganhos na adequação da celulose às necessidades de nossos clientes.
As vendas de celulose superaram a meta estabelecida e atingiram 2.450 toneladas – um novo recorde.
As conquistas refletem nossa estratégia de crescimento, baseada na qualidade de nossos produtos e serviços e no estabelecimento de relacionamentos de longo prazo com nossos clientes globais, para os quais buscamos agregar valor em todas as etapas do processo – do desenvolvimento das características da fibra ao melhor processo logístico.
Apesar de discreto, o crescimento da economia mundial estimulou o consumo de celulose. O mercado chinês foi o que apresentou a maior taxa (33%), contribuindo para o incremento geral de 5% no mercado registrado no ano.
Nossas vendas mantiveram-se estáveis nos principais mercados. Na Europa, ultrapassamos a marca de 1 milhão de toneladas e, apesar da acirrada concorrência nessa região, conseguimos expandir nossa participação e ficar entre os líderes do mercado.
Na América do Norte, consolidamos nossa posição como um dos principais fornecedores para a indústria de papéis sanitários. No mercado asiático, atuamos na introdução da celulose produzida na Unidade Guaíba e consolidamos a implantação de dois centros de distribuição (hub port) de celulose, um localizado na Malásia e outro na China, que movimentaram mais de 500 mil toneladas em 2004.
Duas operações realizadas no ano refletem a confiança dos investidores e permitiram melhorar o perfil do endividamento da Empresa. Por meio de uma operação estruturada de securitização de recebíveis de exportação, captamos US$ 175 milhões de investidores institucionais de grande porte. Obtivemos outros US$ 50 milhões por meio de um contrato de financiamento assinado com a International Finance Corporation (IFC), braço do Banco Mundial para o setor privado.

Na área de produtos de madeira, a Weyerhaeuser adquiriu dois terços da Aracruz Produtos de Madeira, responsável pela produção de Lyptus, o que abre ao empreendimento novas possibilidades de crescimento.
Demos início a um Plano de Sustentabilidade, que busca assegurar que nossas ações e programas sejam articulados na forma de um processo, de maneira a atingir o máximo em sinergia e resultados. Isso nos permitirá avançar na direção de um empreendimento sustentável do ponto de vista econômico, social e ambiental, em linha com as mais avançadas práticas existentes no cenário empresarial.
A exemplo do que aconteceu em 2003,nosso Relatório Social e Ambiental, agora denominado Relatório de Sustentabilidade, foi objeto de uma verificação independente,realizada este ano pelo BVQi.
Cumpre destacar ainda a saída, em abril, de Erling Lorentzen da presidência do Conselho de Administração da Aracruz. Um dos idealizadores e grande força propulsora da Companhia desde sua fundação, Lorentzen nos deixa um importante legado de liderança, dedicação e visão de futuro, ideais que continuam conosco como um fator fundamental para o crescimento da Empresa nos próximos anos.
As perspectivas de retomada no crescimento da economia americana, a continuada expansão do mercado chinês e a maior utilização da capacidade instalada da indústria, sem grandes aumentos na oferta, poderão propiciar um cenário de preços mais favorável para 2005.
Com investimentos consistentes no aumento de produtividade e no aprimoramento de seus produtos, serviços e processos de gestão, suportados por uma abordagem estruturada da questão da sustentabilidade, a Aracruz e seus acionistas controladores– Grupos Safra, Lorentzen, Votorantim e BNDES – iniciam 2005 com ótimas perspectivas de crescimento.


A Empresa