Relatório Anual 2005
Mensagem da administração
Os resultados obtidos pela Aracruz em 2005 representaram novos recordes, com vendas de 2,6 milhões de toneladas de celulose e lucro líquido de R$ 1.163 milhões. A geração operacional de caixa, medida pelo EBITDA (ajustado por outros lançamentos estritamente contábeis), totalizou R$ 1.626 milhões. Contribuíram para esses resultados, sobretudo, o aumento da produção e das vendas e o preço médio mais elevado em dólares da celulose no mercado internacional.
O cenário internacional mostrou-se favorável, com a continuidade do crescimento da economia chinesa e melhoria no desempenho econômico nos Estados Unidos, Europa e Japão. O preço da maioria das commodities aumentou, com destaque para o petróleo, que atingiu patamares recordes.
No Brasil, o ambiente foi marcado pela crise política e por um crescimento do PIB aquém das expectativas, da ordem de 2,5%, muito inferior aos 5% registrados em 2004.
A Aracruz, apesar disso, conseguiu avançar em sua estratégia de fortalecer relacionamentos de longo prazo com seus clientes, mantendo uma trajetória de aumento consistente de sua participação no mercado mundial de celulose de fibra curta, do qual espera atender cerca de 13% já a partir de 2006.
Para atingir esse objetivo, concluímos os investimentos no aumento de nossa capacidade de produção, com destaque para a entrada em operação da Veracel, na Bahia, que acrescenta 450 mil toneladas anuais ao volume já produzido pela Aracruz. Também a Unidade Guaíba (RS) teve sua capacidade nominal ampliada e, ao final do ano, iniciamos um projeto de expansão do terminal especializado Portocel, localizado ao lado da Unidade Barra do Riacho (ES), para aumentar sua capacidade de movimentação para 6 milhões de toneladas no decorrer dos próximos dois anos. Novos investimentos estão programados para aumentar a capacidade produtiva da Unidade Barra do Riacho e para a expansão de nossa base florestal.
Avançamos na estratégia de fortalecer relacionamentos de longo prazo com os clientes e aumentar nossa participação de mercado.
Se o ano se destacou pela conclusão de investimentos iniciados nos exercícios anteriores, foi também importante pelo enfrentamento de algumas situações inusitadas, que nos remetem à necessidade de reflexão constante sobre os impactos de todas as nossas ações.
Deparamo-nos com questões delicadas, com destaque para a invasão de terras por membros das comunidades indígenas tupiniquim e guarani, que ocuparam 11 mil hectares de propriedade da Companhia, além de promover a invasão de um dos prédios administrativos da fábrica da Unidade Barra do Riacho (ES).
Também a invasão de 8,7 mil hectares em áreas da Empresa no Espírito Santo por membros do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) trouxe à tona a questão da legalidade das invasões. Cumpre notar que outras empresas passaram por problemas semelhantes em 2005, o que denota tratar-se de uma questão de abrangência nacional, que exige a participação ativa do Governo e de todos os envolvidos na busca de uma solução permanente.
Todas as questões foram encaminhadas dentro do respeito às leis e do espírito de buscar o entendimento, que continuaram a ser a tônica de nossas ações no relacionamento com as comunidades. Esses fatos reforçam nossa visão sobre a importância da sustentabilidade como parte da estratégia de negócios da Companhia.
Assinamos o termo de adesão à Bolsa de Carbono de Chicago (CCX), que comercializa créditos de carbono, como a primeira empresa da América Latina a assumir voluntariamente metas de redução de suas emissões.
As informações apresentadas em nosso Relatório de Sustentabilidade foram objeto de verificação por auditores independentes, a exemplo do ocorrido nos dois últimos anos.
Merecemos reconhecimentos relevantes em 2005, com destaque para o ingresso no Índice Dow Jones de Sustentabilidade (DJSI World) 2006 e no Índice de Sustentabilidade Empresarial da Bovespa, que atestam a adoção de práticas avançadas de responsabilidade empresarial.
Evento de especial magnitude foi a melhoria da classificação de risco em moeda estrangeira da Aracruz para grau de investimento (investment grade), pela Standard & Poor's, o que deverá contribuir, no médio prazo, para a redução do custo de capital da Companhia, e conseqüentemente, para aumentar seu valor de mercado.
Destacam-se, igualmente, o exame e a aprovação formal, pelo Conselho Fiscal e o Comitê de Auditoria, das demonstrações financeiras auditadas do exercício de 2005, antes de sua divulgação ao mercado.
Fomos incluídos também, pelo segundo ano consecutivo, na relação das Melhores Empresas para se Trabalhar no Brasil, e, pela terceira vez, considerados a Empresa Mais Admirada do Brasil no Setor de Papel e Celulose, pelas revistas Guia Exame Você S/A e Carta Capital, respectivamente.
Essas conquistas, fruto do empenho de uma equipe competente e dedicada, são um estímulo adicional ao nosso intuito de reforçar a questão da sustentabilidade em todos os aspectos de nossa atividade. Somente assim poderemos manter o crescimento da Companhia e assegurar retornos consistentes aos acionistas, satisfação dos clientes, a manutenção de relacionamentos saudáveis com as comunidades e a preservação do meio ambiente, gerando riquezas e benefícios para todos.



