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Relatório de Sustentabilidade 2005

Desempenho econômico e social | Relacionamento com as comunidades

A Aracruz e as comunidades indígenas

Apesar de a Aracruz reconhecer as comunidades indígenas como uma de suas partes interessadas e de um período de bom relacionamento com essas comunidades, em 2005 houve um acirramento das questões relativas à propriedade de terras da Empresa, pleiteadas pelas comunidades indígenas do Espírito Santo.

Membros das comunidades tupiniquim e guarani, apoiados por integrantes de organizações não-Governamentais, invadiram uma área de plantios da Aracruz e, alguns meses depois, parte do prédio administrativo de nossa fábrica em Barra do Riacho, de forma a pressionar o Governo a ampliar sua reserva.

As comunidades guarani e tupiniquim alegam ser as donas de uma área de cerca de 11 mil hectares de propriedade da Aracruz, tomando como base um laudo antropológico elaborado pela Fundação Nacional do Índio (Funai) em 1997. Conforme disposto na legislação brasileira, os laudos antropológicos são apenas um instrumento informativo dos processos de demarcação, e não uma decisão em si. O laudo em questão contém inúmeras fragilidades, não caracterizando as terras como indígenas e não podendo portanto servir de base para uma nova demarcação das reservas indígenas.

As terras da Empresa foram adquiridas legitimamente de proprietários que detinham sua posse há várias gerações, conforme documentação registrada em cartórios e de posse da Aracruz.

A Funai só iniciou a identificação dos índios do Espírito Santo em 1975, quase 20 anos depois de a Aracruz ter iniciado seus plantios. Desde então, a reserva já foi ampliada uma vez, e a Empresa teme que uma nova ampliação com base em ato administrativo do Governo não encerre a questão, já que novas ampliações poderiam vir a ser demandadas, gerando total falta de segurança para a Companhia e ensejando disputas cíclicas com as comunidades.

A Aracruz está empenhada em buscar uma solução estável para a disputa. Questões como essa deveriam ser idealmente resolvidas pelo diálogo, mas quando isso não acontece, elas só podem ser resolvidas por um organismo independente legalmente constituído, como a Justiça, e jamais pela via da imposição, como invasões. Em um processo legal, todas as partes poderão apresentar seus argumentos, e a decisão final – seja ela qual for – assegurará a segurança jurídica de que a Empresa necessita, abrindo caminho para o restabelecimento de um relacionamento construtivo com as comunidades indígenas.

Como resultado de acordos, iniciativas voluntárias e contratos comerciais, a Aracruz já repassou, desde 1998, R$ 26 milhões às comunidades indígenas do Espírito Santo.

Para conhecer mais detalhes sobre esta questão, consulte em nosso site: Posicionamentos | A Aracruz e a Questão Indígena | Os índios no Brasil.

Cronologia da disputa

Em outubro, nova invasão, desta vez a um dos prédios administrativos da Unidade Barra do Riacho, realizada por cerca de 200 membros das comunidades tupiniquim e guarani, com o apoio de outros grupos não-índios. A invasão durou cerca de 30 horas e funcionários da Empresa foram impedidos de permanecer em seus postos de trabalho.