Relatório de Sustentabilidade 2005
Desempenho econômico e social | Relacionamento com as comunidades
A questão dos resíduos florestais
Em virtude da atual falta de madeira no país, motivada pelo maior controle do desmatamento ilegal pelas autoridades e pela insuficiente expansão dos plantios florestais para suprir a demanda, os preços da madeira e de seus derivados, como o carvão vegetal, aumentaram substancialmente.
Por conta disso, as empresas florestais, entre as quais a Aracruz, vêm sofrendo pressões, por parte de alguns grupos no extremo sul da Bahia, para a obtenção das partes das árvores não aproveitadas para a produção de celulose, como pontas e galhos. Essas partes, que se deixadas no solo têm a importante função de manter sua fertilidade, são usadas por esses grupos na produção de carvão, conforme reportado em nosso Relatório de Sustentabilidade de 2004, muitas vezes misturadas a madeiras nativas extraídas ilegalmente.
O governo estadual iniciou em setembro de 2005 uma operação, coordenada pelo Centro de Recursos Ambientais (CRA), contra o uso de madeiras obtidas ilegalmente, que resultou na desativação dos fornos de carvão em algumas áreas do sul da Bahia.
Em represália a essas ações, alguns desses grupos desencadearam atos que resultaram em saques a ônibus e caminhões de prestadoras de serviços das empresas de produção de celulose, e incêndios em florestas de eucalipto.
Diante da complexidade da situação e ciente de que a questão envolve aspectos legais e sociais importantes, a Aracruz, em conjunto com outras empresas da região, contratou o consórcio Parceria 21 – integrado pelo Instituto Brasileiro deAdministração Municipal (Ibam), o Instituto de Estudos da Religião (Iser) e a Rede de Desenvolvimento Humano (Redeh) – para a elaboração de uma proposta de desenvolvimento regional voltada às comunidades de baixa renda do entorno dos empreendimentos florestais na região do extremo sul baiano. Os resultados deste estudo serão apresentados em 2006.
A Aracruz acredita que somente por meio do estímulo ao desenvolvimento comunitário e local, em bases sustentáveis e integrado à economia de base florestal, predominante na região, será possível obter resultados positivos e duradouros para a questão.
No norte do Espírito Santo, teve continuidade a retirada de resíduos florestais por algumas comunidades, amparada pelo Termo de Doação de Resíduos de Madeira Florestal firmado com a Associação de Pequenos Agricultores Lenhadores de Conceição da Barra (Apal). Essa associação é formada por 490 moradores das comunidades dos municípios de Conceição da Barra e São Mateus e sua produção atual de resíduos é de aproximadamente 4.500 m3/mês.


