Relatório de Sustentabilidade 2005
Desempenho ambiental | Biodiversidade e plantios florestais

Conciliar o desenvolvimento econômico com a preservação do meio ambiente é um desafio global, que tende a aumentar com o contínuo crescimento da população e do consumo de bens cuja produção envolve o uso de recursos naturais.
Como resultado desse desafio, estabelece-se uma importante discussão entre a proteção total da biodiversidade e o uso sustentável de recursos naturais, pois da floresta poderão ser obtidos os princípios ativos para a produção dos medicamentos e alimentos do futuro.
Esta questão é de suma importância para a Aracruz, uma vez que seu negócio é intrinsecamente dependente de recursos naturais como água, solo e biodiversidade.
Há uma corrente de pensamento que defende que as áreas florestais tropicais remanescentes devem ser preservadas integralmente, sem qualquer tipo de atividade humana. Para alguns, nem mesmo o ecoturismo deve ser permitido, deixando as florestas totalmente isoladas da sociedade para que possam, por seus próprios mecanismos de equilíbrio ambiental, assegurar a preservação das espécies.
O avanço de atividades econômicas, sobretudo agropastoris, sobre áreas de florestas nativas, é apontado como o principal responsável pelo desmatamento no país.
A Aracruz implantou seus primeiros plantios de eucalipto na década de 60. Esses plantios foram estabelecidos no município de Aracruz, no Espírito Santo, em áreas que em sua maioria já haviam sido desmatadas. A título de exemplo, uma das áreas adquiridas – de 8 mil hectares – pertencia à Companhia Ferro e Aço de Vitória (Cofavi), que daí extraía a madeira usada para produzir o carvão vegetal que abastecia seus fornos.
A Aracruz hoje detém 400 mil hectares deterras predominantemente dentro do bioma Mata Atlântica, dos quais139,2 milhectares são de áreas de reserva nativa mantidas integralmente preservadase protegidas, sem qualquer uso econômico. Os estudos de biodiversidadevêm demonstrando que as áreas de preservação e de plantios de eucaliptointercaladas têm possibilitado a manutenção e o desenvolvimento de diversasespécies animais endêmicas da Mata Atlântica.
Temos consciência da percepção, de parcela da comunidade, de que os plantios de eucalipto possuem pouca diversidade. Consideramos, no entanto, que os plantios de eucalipto não podem ter sua biodiversidade comparada com a das florestas nativas tropicais, às quais não visam substituir, mas sim com a das demais culturas de que a sociedade necessita para seu conforto e bem-estar. O eucalipto proporciona uma fonte alternativa de madeira para os mais diversos usos finais, diminuindo a pressão sobre as florestas nativas e colaborando para a fixação do homem ao campo.
A Aracruz condena o uso de madeira ilegalmente extraída para qualquer fim, e defende que os remanescentes de Mata Atlântica devem ser preservados e, sempre que possível, recuperados, de modo a criar ou ampliar a conectividade entre os fragmentos florestais remanescentes.
Para melhor conhecer a interação entre seus plantios de eucalipto, as reservas nativas de Mata Atlântica e o meio ambiente, a Aracruz iniciou, em 1993, o Projeto Microbacia, onde é realizado o monitoramento ambiental do ciclo completo de cultivo do eucalipto, e estudada a relação desses plantios com as matas nativas e a fauna local. Dados sobre a biodiversidade, o ciclo hidrológico do eucalipto e as condições do solo são permanentemente coletados, acompanhados e classificados.


