Relatório de Sustentabilidade 2005
Desempenho ambiental | Defensivos agrícolas
Abordamos a seguir alguns temas da maior relevância para a sociedade que são considerados e incorporados nos procedimentos, parâmetros de controle, indicadores de gestão e objetivos e metas de sustentabilidade da Aracruz.
O uso de defensivos agrícolas para evitar ou reduzir os danos econômicos causados por pragas, doenças e ervas invasoras tem sido objeto de crescente atenção da sociedade, sobretudo quando se refere ao cultivo de alimentos, pois podem provocar efeitos nocivos à saúde humana quando aplicados inadequadamente.
O consumo de defensivos na silvicultura é aproximadamente 50 vezes menor que em outras culturas agrícolas, como frutas cítricas e cana-de-açúcar. No Brasil, o consumo desses produtos na silvicultura é em média da ordem de 5 kg/ha/ano, ao passo que nos plantios de eucalipto da Aracruz não ultrapassa 2 kg/ha/ano.
Como qualquer cultura agrícola, os plantios da Aracruz estão sujeitos ao ataque de pragas e doenças, e o uso de defensivos é inevitável para assegurar a produtividade. No entanto, a Empresa adota diversas práticas – como o controle biológico de doenças e pragas, o uso de defensivos menos tóxicos e o monitoramento sistemático do meio ambiente e da saúde humana – de forma a evitar efeitos indesejáveis destes produtos.
Um exemplo dessa prática em 2005 foi o controle do gorgulho australiano do eucalipto (Gonipterus scutellatus Gyllenhal). Ao final de 2004, uma explosão populacional desta praga trouxe danos consideráveis à Empresa, devido a sua capacidade de causar o desfolhamento das plantas em grandes extensões de plantio. Em 2005, a praga foi controlada com o uso de um inimigo natural, uma pequena vespa (Anaphes nitens Girault) que parasita os ovos do gorgulho, de forma altamente específica. O inimigo natural foi introduzido na região por inoculação, e rapidamente multiplicado em laboratório montado exclusivamente para este fim. Em menos de nove meses foi atingido um equilíbrio, permitindo a convivência harmoniosa dos plantios com a praga e seu inimigo natural.
Sendo o uso de defensivos quase sempre inevitável, a Aracruz busca utilizar os compostos da classe toxicológica IV (tarja verde, menos tóxico), licenciados pelo Ministério da Agricultura e pelo Ibama, que respeitam as exigências do Ministério da Saúde e do Meio Ambiente e as instruções prescritas em receituário agronômico emitido por profissionais credenciados pelo Conselho Regional de Engenharia e Arquitetura (Crea).
A Aracruz foi alvo de denúncias de uso indiscriminado de defensivos agrícolas e de danos à saúde humana e ao meio ambiente. Essas denúncias foram investigadas pelos órgãos competentes, como o Instituto de Defesa Agropecuária e Florestal do Estado do Espírito Santo (Idaf-ES), que concluiu sobre sua completa improcedência.
Além de seguir os parâmetros estabelecidos na legislação sobre armazenamento, transporte, manuseio e descarte das embalagens, a Aracruz mantém ainda programas de monitoramento da água e do solo para avaliar possíveis impactos pelo uso de defensivos. Em 45 campanhas realizadas entre 1993 e 2005, foram recolhidas amostras em 92 pontos de coleta em propriedades na Bahia, Espírito Santo e Minas Gerais. Nas 556 amostras analisadas (204 procedentes da BA, 50 de MG e 302 do ES) não se constatou a presença de nenhum dos princípios ativos pesquisados.
Os trabalhadores próprios e terceiros que aplicam os defensivos são submetidos a exames clínicos periódicos e não há registro de diagnóstico de intoxicação aguda ou crônica atribuída aos produtos utilizados.


