Relatório de Sustentabilidade 2005
Mensagem do Presidente
Em 2005, recebemos mais reconhecimentos do que talvez nunca em nossa história. Paradoxalmente, nos deparamos também com um dos conflitos mais sérios já vividos com comunidades vizinhas e movimentos sociais.
No novo ambiente de negócios, somente terão lugar no mercado – e, por assim dizer, futuro – as empresas que conseguirem integrar adequadamente os fatores econômicos, sociais e ambientais, atingindo os patamares necessários para serem consideradas sustentáveis.
A Aracruz é uma empresa competitiva, por combinar as vantagens de uma produtora de baixo custo com economias de escala, tecnologia florestal avançada e um curto ciclo de cultivo proporcionado pelo clima brasileiro.
E essa destacada posição implica ainda maior responsabilidade. Nossa "licença social" para operar depende da qualidade do ambiente, do bem-estar das comunidades em que estamos presentes, e da confiança das partes interessadas – nossos empregados, clientes, acionistas e fornecedores, entre outros. Manter e ampliar a confiança desses públicos é um desafio crucial em nossa estratégia de sustentabilidade.
Em 2005, recebemos mais reconhecimentos do que talvez nunca em nossa história, três deles particularmente importantes: o ingresso em dois índices de sustentabilidade (o Dow Jones, da NYSE, e o ISE, da Bovespa) e a outorga, pela Standard & Poor's, do grau de investimento (investment grade) em moeda estrangeira.
Paradoxalmente, no mesmo período nos deparamos também com um dos conflitos mais sérios já vividos com comunidades vizinhas e movimentos sociais. Membros das comunidades indígenas tupiniquim e guarani, apoiados por integrantes de organizações não-governamentais, invadiram uma área de plantios da Aracruz no Espírito Santo, e, alguns meses depois, as próprias instalações da nossa fábrica em Barra do Riacho, de forma a pressionar o Governo a ampliar sua reserva.
Esses conflitos, e os questionamentos de natureza política, social e ambiental que os antecedem e suportam, são parte do contexto de uma companhia que utiliza recursos naturais, opera em regiões muitas vezes carentes de suporte governamental e exporta para mercados internacionais cada vez mais exigentes e sensíveis a questões sociais e ambientais. Uma empresa que tem sua visibilidade ainda mais ampliada pelo fato de ser líder mundial em seu segmento.
A Aracruz está ciente desse desafio, e busca enfrentar os problemas e conflitos próprios do setor florestal, e os seus em particular, com transparência e diálogo. Trata-se de um processo de aprendizado para todas as partes, uma vez que a complexidade das questões em geral não permite uma solução única, nem uma verdade absoluta.
Neste relatório abordamos questões sensíveis como o relacionamento com as comunidades indígenas, a questão dos recursos hídricos, da biodiversidade, do uso de defensivos agrícolas e do aproveitamento dos resíduos florestais oriundos de nossas operações.
Dando continuidade ao Plano Estratégico de Sustentabilidade iniciado no ano anterior, em 2005 atuamos mais diretamente nos aspectos de governança, transparência e relacionamento com as partes interessadas.
Prosseguimos o diálogo com as ONGs ambientalistas no Espírito Santo e abrimos novos canais de relacionamento similares no sul da Bahia e no Rio Grande do Sul. Nosso programa de voluntariado chegou à Unidade Guaíba e as ações empreendidas, somadas às da Unidade Barra do Riacho, beneficiaram mais de 19 mil pessoas. Avançamos na meta de obter certificação florestal em todos os nossos plantios, e nossas áreas sob manejo próprio no Espírito Santo e na Bahia já estão integralmente certificadas pelo Cerflor.
O modal de transporte marítimo foi reforçado, com resultados importantes na redução do tráfego de caminhões e na economia de combustível. Ainda nessa linha, a Aracruz foi a primeira empresa da América Latina a assumir metas de reduzir suas emissões de gases de efeito estufa, ao aderir à Bolsa de Carbono de Chicago (CCX).
Entretanto, nem todos os objetivos estabelecidos para 2005 foram cumpridos nos prazos previstos. Os resultados e as justificativas para esses desvios são apresentados no site www.aracruz.com.br. Nossos esforços terão continuidade em 2006, de acordo com os objetivos definidos e apresentados ao final deste relatório.
Como parte do esforço por maior transparência em nosso processo de comunicação, convidamos algumas partes interessadas a avaliar nosso Relatório de Sustentabilidade de 2004. Nesta nova edição, buscamos atender a algumas das expectativas manifestadas nessa avaliação.
Este ano, nosso Relatório de Sustentabilidade foi novamente submetido a uma verificação independente, realizada pelo Bureau Veritas Quality International (BVQI), buscando assegurar a consistência e confiabilidade das informações prestadas.
Carlos Augusto Lira Aguiar
Diretor-Presidente
A Aracruz convida os leitores desta publicação a enviarem suas críticas, comentários e sugestões, ou a visitarem nossas operações. Na página Informações adicionais são apresentados os nomes e endereços para contato.


