Visões externas
No Relatório Anual e de Sustentabilidade de 2006 da Aracruz, nos propusemos a oferecer uma visão mais integrada do nosso desempenho, de modo a melhor atender às expectativas das partes interessadas.
Para verificar até que ponto avançamos em relação a essas expectativas, e também apresentar comentários independentes que ajudem o leitor a formar sua própria opinião sobre as informações reportadas, estamos pela primeira vez incluindo declarações de especialistas externos. Dois leitores externos foram convidados a avaliar a publicação, com base em suas áreas de especialização, e comentar sobre a qualidade, equilíbrio e materialidade das informações, e sobre se o relatório atende às expectativas das partes interessadas.
Apesar de citarmos as organizações às quais esses especialistas estão vinculados tendo em vista indicar
suas expertises, ambos estão externando suas opiniões individuais e não as de suas organizações.
Este relatório representa um novo passo da Aracruz no sentido de ainda maior transparência. Ele proporciona aos leitores um melhor entendimento da companhia.
O principal aspecto que faltava em relatórios anteriores era o uso do padrão do Global Reporting Initiative (GRI), que a Aracruz começou a adotar neste relatório. Sempre achei que os relatórios anteriores refletiam o espírito "fazemos do nosso jeito, mas abertos à discussão" da Aracruz. Fico feliz de ver a Aracruz juntar-se ao grupo e facilitar a comparação com seus pares e com outras companhias em geral.
Como profissional que trabalha com riscos ambientais e sociais em um banco, fico contente em ler sobre o diálogo da Aracruz com ONGs, em particular com as do sul da Bahia. Embora não esteja muito familiarizado com aquela situação, a descrição parece equilibrada. Da mesma forma, me agrada a transparência sobre multas que a companhia recebeu dos órgãos ambientais. A admissão de falhas em procedimentos, em certos casos, é um exemplo importante para todas as companhias em todos os setores. É claro que eu ficaria ainda mais feliz se não houvesse multas a informar. A descrição de ações judiciais em que a companhia é autora ou ré está bem feita. Todas essas informações são importantes para instituições financeiras.
Falando de instituições financeiras, gostaria de dar uma sugestão para futuros relatórios. Gostaria de ver a companhia explicar – em termos financeiros – como investimentos em sustentabilidade (desde manejo florestal até diálogo com as partes interessadas) trazem resultados financeiros. Freqüentemente, as companhias publicam informações sobre sustentabilidade na linha das "boas ações". Sustentabilidade também é a forma como a boa gestão ambiental e social protege valor para os acionistas e empregos na companhia e na sua cadeia produtiva. A Aracruz poderia mostrar como isso ocorre.
Um pequeno item merece melhoria. As duas tabelas de geração de resíduos sólidos nas duas fábricas são difíceis de comparar. Uma das tabelas não especifica os volumes reciclados, e a outra não dá idéia das perdas em relação à produção total. Ambas as tabelas requerem aprimoramento. É importante lembrar que grandes volumes de materiais saem destas fábricas, mas apenas parte desses resíduos gera alguma renda para a Aracruz. A companhia deveria começar a informar o fluxo de material e sua capacidade de geração de renda.
Em resumo, estou satisfeito com este relatório e conto com melhorias contínuas.
Christopher Wells
Gerente de Risco Ambiental, América Latina, ABN AMRO
São Paulo-SP, Brasil
Março de 2007
O nível de detalhe e qualidade da informação do Relatório Anual e de Sustentabilidade de 2006 da Aracruz me deixou bem impressionado. Apesar da nova experiência e desafio – foi a primeira vez que realizei esse tipo de análise crítica – senti-me bastante confortável ao ler o relatório e fazer alguns comentários e sugestões que, espero, ajudem na melhoria do relatório e no impacto das futuras ações da Aracruz na área de sustentabilidade.
Após ler cuidadosamente o relatório, meu entendimento é de que a Aracruz teve todo o cuidado em incluir e apresentar, de uma forma transparente, os principais temas e preocupações considerados importantes para a sustentabilidade da empresa e seus stakeholders, assim como demonstrou o propósito de melhorar cada vez mais os resultados e impactos nas áreas social, econômica e ambiental.
A título de esclarecimento e transparência, acredito que seria importante oferecer ao leitor elementos que lhe permitissem comparar as informações prestadas com as de outras empresas líderes do setor. Por exemplo, as estatísticas apresentadas no quadro de empregos merecem uma interpretação e/ou comparação com outros números para que o leitor possa entender o que a Aracruz tem de positivo e negativo vis-à-vis as melhores práticas nacionais e internacionais.
Dentro de "Operações Florestais", vale destacar a relação entre as áreas de reserva nativa e de plantios. Apesar da importância desta relação, é recomendável que a Aracruz seja mais transparente em relação ao valor real (financeiro) destas reservas nativas na geração de serviços ecossistêmicos (carbono, água, e biodiversidade), tanto local quanto regionalmente. Por que não transformar um ativo "intangível" num ativo "tangível e mensurável" para a sociedade?
Entendendo que a estratégia da Aracruz é incrementar o seu suprimento de madeira através do Programa Produtor Florestal, seria importante mencionar o que a empresa está fazendo para incluir seus "parceiros estratégicos" no programa de certificação florestal que ela considera importante para o negócio.
Considero que o relatório mostra, numa forma bastante pulverizada e às vezes subjetiva, os grandes avanços que a Aracruz tem feito na área ambiental, seja através de ações e projetos como de diversas parcerias. No que diz respeito às parcerias, a Aracruz deve buscar valorizar melhor os parceiros locais e nacionais. Quanto às ações, talvez fosse oportuno considerar a possibilidade de criar um tópico como “Investimentos Ambientais” para dar mais visibilidade e importância a um dos três fundamentos da sustentabilidade.
Finalmente, o fato de a Aracruz ser a primeira empresa latino-americana a assumir metas de redução de emissões de GEE é relevante, e demonstra mais uma vez sua liderança, mas a estratégia usada não parece ser uma solução compatível com o perfil de uma empresa líder que queira ter um papel relevante na solução de um problema global. Uma vez que existem dúvidas e questionamentos sobre a contribuição do plantio de monoculturas na mitigação do aquecimento global, acho fundamental que a Aracruz forneça mais detalhes à “adicionalidade ambiental” desta ação e o impacto real e mensurável deste e de futuros esforços.
Miguel Calmon
Diretor do Programa Floresta Atlântica
The Nature Conservancy
Curitiba-PR, Brasil
Março de 2007.