Aracruz vai investir US$ 3,5 bilhões em projetos de expansão

A Aracruz Celulose vai investir, nos próximos cinco anos, cerca de US$ 3,5 bilhões, entre terras e florestas, fábrica e infra-estrutura, em projetos de expansão da sua Unidade Guaíba (RS) - que passará a produzir 1,8 milhão de toneladas anuais de celulose, com a inauguração da nova fábrica, em 2010 - e da Veracel. Esta última, joint venture entre a Aracruz (50%) e a Stora Enso (50%), se prepara para a construção de uma nova fábrica, com capacidade para produzir 1,4 milhão de toneladas anuais de celulose (700 mil toneladas correspondem à participação da Aracruz), com entrada em operação prevista para 2012. A empresa já investiu cerca de US$ 300 milhões na compra de terras e na formação de florestas para os dois projetos.

Em 2007, as vendas de celulose da Aracruz registraram volume recorde, alcançando 3,1 milhões de toneladas, 3% maior que o ano anterior. O EBITDA ajustado atingiu R$ 1,7 bilhão no ano, com margem de 46%. No quarto trimestre, o EBITDA ajustado, que incluiu 50% do indicador da Veracel, foi R$ 34,4 milhões superior ao do terceiro trimestre de 2007, devido principalmente ao maior volume vendido (12%).

Aracruz obteve lucro antes do Imposto de Renda de R$ 1,3 bilhão, valor 6% acima de 2006. Já o lucro líquido totalizou R$ 1,0 bilhão (R$ 1,1 bilhão em 2006), valor afetado pela maior provisão de imposto de renda em 2007 de R$ 279 milhões (R$ 100 milhões em 2006), que compreende R$ 72 milhões em imposto corrente (R$ 64 milhões em 2006) e R$ 207 milhões em imposto diferido (R$ 36 milhões em 2006). O motivo para o aumento do imposto diferido em comparação a 2006 foi o impacto da valorização do real frente ao dólar na base de cálculo do imposto.

No quarto trimestre de 2007 o lucro líquido da empresa totalizou R$ 187 milhões, ou R$ 0,18/ação. Este valor também foi afetado pela maior provisão do imposto de renda, sendo R$ 41,4 milhões em imposto diferido (R$ 15,2 milhões no quarto trimestre de 2006) e R$11,2 milhões em imposto corrente (R$ 15,7 milhões no quarto trimestre de 2006).

Sustentabilidade - A Aracruz compõe, pelo terceiro ano consecutivo, o Índice Dow Jones de Sustentabilidade (DJSI World) 2007/2008, da Bolsa de Valores de Nova York, que destaca as melhores práticas em sustentabilidade corporativa no mundo. A companhia é mais uma vez a única do setor a participar do índice, das 13 empresas florestais do mundo que concorreram este ano. O indicador é formado por 318 empresas de 24 países no total, sendo sete delas brasileiras. Além disso, a companhia permanece, pela terceira vez consecutiva, no Índice de Sustentabilidade Empresarial (ISE) da Bovespa que engloba 32 companhias selecionadas que apresentam alto grau de comprometimento com sustentabilidade e responsabilidade social.

A participação da companhia nesses dois índices acontece no mesmo ano em que a Aracruz comemora quatro décadas de operação. No mesmo ano, a empresa atingiu a marca de 1 bilhão de árvores plantadas. O cálculo leva em conta as mudas de eucaliptos das unidades Barra do Riacho (ES), Guaíba (RS), e Veracel (BA) e árvores tropicais nativas plantadas desde o início da empresa.

Rating - A Moody's elevou os ratings de emissor da Aracruz de Baa3 para Baa2, em escala global e moeda local, e de Aa1.br para Aaa.br, em escala nacional. Segundo a agência, "a elevação do rating de emissor na escala global em moeda local foi ocasionada pela melhora dos indicadores de alavancagem da Aracruz, como dívida bruta total ajustada sobre EBITDA abaixo de duas vezes desde o início de 2006. A Moody's informou também que "os ratings da Aracruz refletem o perfil favorável de produção e as elevadas margens da companhia, que são suportados pela sua escala, auto-suficiência em eletricidade e fibra de madeira, bem como sua logística eficiente".

Expansão Guaíba - A Aracruz vai submeter à aprovação de seu Conselho de Administração no primeiro trimestre de 2008 o Projeto de Expansão da Unidade Guaíba (RS). O projeto prevê a construção de uma nova linha ao lado da atual fábrica, que hoje produz 430 mil toneladas/ano. A intenção é atingir a produção de cerca de 1,8 milhão de toneladas anuais de celulose.

Veracel - A produção de celulose da Veracel totalizou 285 mil toneladas no quarto trimestre de 2007. No final de dezembro, os estoques de celulose eram de 48 mil toneladas. As vendas da Veracel totalizaram 281 mil toneladas no quarto trimestre, sendo 151 mil toneladas para a Aracruz, 129 mil para a Stora Enso e mil toneladas em vendas diretas para clientes finais. Em 2007, a produção total da Veracel atingiu 1.051 mil toneladas, 8% acima de 2006. A performance da unidade superou em 17% as expectativas, uma vez que a fábrica foi originalmente projetada para uma capacidade nominal de 900 mil toneladas por ano.

Veracel II - Em 2008, serão apresentados os estudos que prevêem a expansão da Veracel. A segunda linha de produção terá capacidade de 1,4 milhão de toneladas anuais de celulose e terá início de produção em 2012. A primeira fase, envolvendo a aquisição de terras e a criação de florestas já foi iniciada. Até o final de 2007, US$ 65 milhões já tinham sido investidos na aquisição de 35 mil hectares de terras e florestas. Considerando também os ganhos de produtividade da primeira linha da unidade, estima-se que 40% do total de terras e florestas necessários para apoiar Veracel II já tenham sido adquiridos. Além disso, o programa de fomento de Veracel poderá representar até 30% do suprimento de madeira total da nova fábrica.

Portocel - Depois de 12 meses de construção, 70% do projeto de expansão de Portocel foi concluído. O terminal especializado terá sua capacidade aumentada de 4,2 milhões de toneladas por ano para 7,5 milhões de toneladas. A expansão vai garantir a auto-suficiência da Aracruz em infra-estrutura portuária, mesmo após a expansão da Veracel em 2012. A maior capacidade de embarque do porto aumentará a receita de serviços portuários prestados a outras empresas de celulose. Outro benefício da expansão será o maior calado do porto, que permitirá a operação com navios maiores, abrindo oportunidade para redução futura no custo de frete.

Mercado - De janeiro a novembro de 2007, a demanda total por celulose química superou em 3,3% o nível de 2006 (1,2 milhão de toneladas) de acordo com o "World-19", do Conselho de Produtos de Papel e Celulose (PPPC), baseado no Canadá. Quando considerado o tipo de fibra, a fibra longa teve um aumento de 1,1% (0,2 milhão de toneladas) e a fibra curta 6,6% (1,0 milhão de toneladas). No mercado de fibra curta, a demanda por celulose de mercado de eucalipto apresentou crescimento de 17% até novembro, o que representa 1,4 milhão de toneladas.

Produção de celulose - A produção de celulose da Aracruz no quarto trimestre de 2007, excluindo a participação na Veracel, atingiu 651 mil toneladas, comparada a 627 mil toneladas no terceiro trimestre de 2007 e a 667 mil toneladas no mesmo período do ano anterior. No quarto trimestre de 2007, foram feitos ajustes decorrentes da partida do projeto de otimização PO 2330 em Barra do Riacho (ES) - projeto que deverá proporcionar uma produção adicional de 200 mil toneladas em 2008 - o que contribuiu para o menor volume de produção na comparação com o mesmo período do ano anterior. No quarto trimestre, a Veracel produziu 285 mil toneladas de celulose, das quais 151 mil toneladas foram vendidas para a Aracruz.

Vendas de Celulose - O volume de vendas da Aracruz representou recorde no quarto trimestre e no ano 2007. No quarto trimestre o volume vendido somou 843 mil toneladas, das quais 704 mil foram produzidas internamente, nas Unidades Barra do Riacho (ES) e Guaíba (RS). As demais 139 mil toneladas foram produzidas pela Veracel e revendidas pela Aracruz no mercado.

Dividendos / Juros sobre Capital Próprio (JCP) - Em 2007, foram distribuídos R$ 299 milhões na forma de JCP, como antecipação aos dividendos anuais obrigatórios para o ano fiscal de 2007. Do total, R$ 78,9 milhões foram declarados no dia 21 de dezembro, R$ 76 milhões no dia 18 de setembro, R$ 77 milhões no dia 19 de junho e R$ 67 milhões no dia 21 de março, em conformidade com o artigo 9º da lei 9.249/95. Adicionalmente às diversas declarações de JCP baseadas no exercício de 2007, a Administração propôs o pagamento de R$ 200 milhões em dividendos, a ser submetido à aprovação em Assembléia Geral Ordinária que será realizada até 30 abril de 2008. Se confirmada, a distribuição total relativa ao exercício de 2007 somará R$ 499 milhões, ou R$ 0,50 por ação PNB.

Aracruz e índios - A questão da disputa de terras entre a Aracruz Celulose e as comunidades indígenas no Espírito Santo chegou ao fim em 2007. No dia 3 de dezembro, no Ministério da Justiça, em Brasília, foi assinado o Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) que  contempla os direitos e obrigações de cada parte (Aracruz, índios e Funai) no processo de transferência de aproximadamente 11 mil hectares de terras para as comunidades indígenas. A ampliação das reservas requer ainda a homologação por decreto do presidente da República e a posterior demarcação das terras, quando ocorrerá a efetiva transferência de propriedade e posse sobre elas.

O acordo, que teve o acompanhamento de todas as autoridades que participaram do processo de negociação, incluindo a Procuradoria Geral da República e a Funai - que será responsável pela contratação de uma empresa para fazer a demarcação física das terras -, prevê a desistência de ambas as partes de quaisquer ações em curso ou futuras a esse respeito e deverá ser objeto de homologação na Justiça Federal de Linhares - ES.

Antes da assinatura do acordo, os termos do TAC foram submetidos às comunidades indígenas e aprovados em assembléia realizada no dia 16 de outubro, sendo por elas ratificados em reunião no dia 28 de novembro, conforme recomenda a Convenção 169 da Organização Internacional do Trabalho (OIT) sobre povos indígenas e tribais, da qual o Brasil é signatário.

A Aracruz considera o entendimento uma solução sustentável, que busca um equilíbrio entre os diversos interesses das partes envolvidas, na medida em que viabilizou a demanda dos índios pela  ampliação de suas terras, e proporcionou à Aracruz a segurança jurídica de que essas terras não serão novamente ampliadas.

 


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